sábado, 10 de junho de 2017

Você me salvou

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Essa é não é uma carta de despedida, mas de agradecimento, por todas as coisas boas que passamos juntos, por tudo aquilo que você me proporcionou.

Não vou negar, tua imagem se forma em minha cabeça todos os dias, desde a hora em que eu acordo, até a hora em que vou dormir. Talvez seja "só" a perda ou "só" a saudade falando, mas só isso não gritaria tanto em meu peito. Não vou negar também que anseio pela sua volta, mesmo que isso custasse a minha própria vida.

Desde a primeira vez em que te vi, ali, sentado e com aquele sorriso maravilhoso - capaz de iluminar uma cidade inteira - eu sabia que era amor, mesmo que desacreditasse em amor à primeira vista -. 

Você nunca soube de fato toda a minha trajetória até te conhecer, mas no momento em que te conheci, havia uma imensa bagunça dentro de mim e você me salvou, mesmo sem saber, você trouxe luz pra minha vida que até então eu desconhecia que isso poderia acontecer. Eu ansiava por aqueles 15 minutos de intervalo, pela hora em que eu finalmente conseguiria te ver e aquilo melhorava meu dia absurdamente. Ao chegar em casa eu só desejava que o dia passasse rápido pra te encontrar novamente. 

E todas aquelas madrugadas ao telefone, você lembra? Era como se toda a minha fé, toda a minha felicidade estivesse em apenas uma ligação e de fato, estava, eu não via a hora da noite ruir pra escutar sua voz novamente, como se estivesse ali, ao meu lado, era o nosso ritual, era o ápice dos meus dias.

Você se foi, por mais que depois de tantos meses eu ainda me recuse a acreditar, deixando em mim tantas coisas enraizadas que é quase impossível me desvincilhar de você. Sabe quando alguém entra em sua vida e te acrescenta tantas, mas tantas coisas que você só quer agarrá-la ao ponto de impedi-la de ir? Você foi assim pra mim, eu te deixei escapar por entre meus dedos e se eu soubesse, teria feito ficar.

Eu errei em tantas coisas que se fosse contar, faltariam dedos, só não errei ao amar você e se eu tivesse a chance, teria feito tudo novamente, mas reescreveria a história de forma que você nunca tivesse ido e nunca tivesse me deixado partir.

Você trouxe luz pra minha vida quando escolheu ficar, lembra dos abraços infinitos em que eu te dizia que era ali que eu queria habitar, que era o melhor abraço do mundo e eu só me sentia protegida de todas as coisas ali dentro? Você trouxe luz pra minha vida quando em nas minhas inúmeras crises de choro você me olhava com esses seus olhos puxados, me puxava pra mais perto e dizia que tudo ficaria bem, que você estaria ali pra mim, mesmo quando ninguém mais estivesse.

Você foi o meu sol quando eu tinha medo de andar pelas ruas e você escolhia me fazer companhia, com medo de que algo me acontecesse. Você foi o meu sol quando me deixou adormecer em seu peito e acariciou lentamente meus cabelos. Ali era amor, ali foi amor. Você me deu todo o amor que você era capaz de dar e eu te dei todo o amor que era capaz de sair de mim.

Mas você se foi.
A sua ida dilacera meu peito todas as noites de insônia desde a sua partida.
Não há um dia sequer que eu não deseje estar em seus braços e seus abraços novamente.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

O vazio intrínseco

Queria tanto não ter nada teu dentro de mim
Queria.                        
Mas a gente raramente tem o que quer, né?                        
Enquanto isso, a gente vai convivendo com a dor da ida
Da partida.
E vai se acostumando com a ausência do outro. 
Talvez não se acostume.
Mas a dor se torna tão parte da gente.
Tão inerente em nosso ser.
Alcança o epícentro da nossa pele, que parece que ela nunca vai embora.
Por mais que a gente queira.
Ou tente.
Ou faça qualquer coisa.
Mas ela fica ali, no canto, te mostrando que ela é mais forte que tu.                        
Talvez seja isso o que a dor da perda é.
A lembrança do ser.
Do ter sido.
A ausência do não ter.
A ausência do ter vivido.
O medo de não saber.
O medo de ter perdido algo pra sempre.
Mas mais do que tudo, é a saudade que cala fundo.
Num sábado a noite e num domingo a tarde.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Apago todas as fotos, mas e teu rosto gravado a ferro na alma. Como faço?


Leia ao som de: 





Talvez você nunca vá ler isso ou talvez se ler, não vá se importar com nenhuma das palavras escritas por mim e eu entendo, lá no fundo, eu entendo. 

Desde que você se foi, é como se tivesse ficado um vazio enorme dentro de mim, impossível de ser preenchido por qualquer outra coisa ou por qualquer outra pessoa. É como se você fosse o encaixe que eu precisasse para me preencher.

Não me preocupo com o dia e nem a forma como eu lido com ele, parece tudo perfeitamente tranquilo, como há tempos não havia, mas então a noite chega e meu bem, a noite é o meu verdadeiro pesadelo e se eu pudesse, pularia a hora de dormir só para que você saísse dos meus pensamentos. É cada lembrança boa que você deixou, é cada sorriso, é cada riso, cada abraço, cada beijo, cada cheiro que você deixou impregnado em mim que a cada dia fica mais difícil de te tirar aqui de dentro e eu tento, eu juro que eu tento.

É uma luta interna diária conseguir dormir, me pergunto porque em seus braços parecia ser tão mais fácil, confortável. Acordar no meio da noite e te observar dormindo foi o verdadeiro ápice da minha vida e talvez eu nunca tivesse te dito isso com medo de te assustar, mas te ter tão perto, com os olhos fechados, enquanto dormia era como se o mundo lá fora já não fizesse diferença alguma para mim, eu desejava pausar aquele momento só para poder te admirar mais um pouco, é tão lindo o jeito que você dorme, tão sereno e provavelmente essa imagem não sairá de minha mente.

Essa saudade maldita que eu tenho de você me mata um pouco a cada novo amanhecer. São tantos planos jogados ao vento, tanta história que nunca chegou a sair do papel, tantas coisas que agora já não passam de mera lembrança. E dói, sabe? Dói tão profundo que eu preferia ser atropelada a sentir essa dor. 

Queria poder te apagar da minha vida feito como apagamos as fotos, mas você foi gravado a ferro na alma.

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